A Segunda Guerra Mundial tem uma forte relação com as histórias em quadrinhos de super-heróis. Com os esforços de guerra à todo o vapor, a então crescente industria dos comics percebeu um forte filão à ser explorado. Tomando a dianteira, o primeiro personagem criado no enfoque deste mercado conhecido por todos foi o Capitão América (como comentado no episódio 71 do ArgCast – A Era de Ouro). Depois dele muitos outros surgiram, ostentando as cores e os ícones da bandeira dos Estados Unidos da América.
Paralelo aos heróis que já existiam e começaram a ter suas histórias dentro do ambiente de guerra, estes “heróis bandeirosos” levavam suas aventuras não só aos leitores infantis, mas aos adolescentes e adultos que lutavam nas linhas de frente.
Mas neste histórico, uma curiosidade causa equívocos cronológicos para alguns desavisados que aventuram-se por saberem mais sobre estes heróis patrióticos da Era de Ouro.
Jack Kirby e Joe Simon, criadores do Capitão América, também são responsáveis por outro personagem que ostentava as cores da bandeira dos EUA, o FIGHTING AMERICAN (Combatente Americano).
O personagem foi semelhante ao ao Capitão América (com exceção de sua atitude patriótica panfletária), usava um traje de bandeira de inspiração semelhante, e também teve um jovem “sidekick”, chamado Speedboy. Diferente do Capitão, Fighting não usava escudo. Na trama, conhecemos Johnny Flagg, ex astro do esporte e veterano da segunda guerra e seu irmão mais novo, Nelson Flagg. Johnny sofrer uma lesão incapacitante durante a guerra, e mais tarde se torna um comentarista jornalístico, e se depara com uma conspiração comunista para “derrubar o governo.”, mas é morto antes que ele possa revelá-la ao mundo, e Nelson faz uma promessa leito de morte para caçar os assassinos de seu irmão. Através de experimentos com tecnologia fornecida pelos militares dos EUA (o Fighting American project), o corpo de Johnny é revigorado. Nelson concorda em trocar de corpo, assumindo a forma e identidade de Johnny e cria o codinome heroico de Fighting American. Logo depois, Dan Sprite, um adolescente que trabalha no mesmo veículo de noticias que Flagg ajuda o herói em uma de suas primeiras aventuras. O jovem também descobre a verdadeira identidade de Flagg. Como resultado, o adolescente acaba tornando-se o sideckick “Speedboy”.Em caso de emergências, ambos os heróis usavam seus trajes sob um terno e gravata e uniforme página, respectivamente.Vilões eram em sua maioria comunistas com deformidades físicas e nomes coloridos, como Round Robin e Ivan Poison.
O que pouca gente sabe é que Fighting American foi uma resposta de Kirby e Simon ao calote que levaram na criação de Capitão América para a Timely Comics (hoje conhecida como Marvel Comics). Quando os dois artistas criaram o conhecido Sentinela da Liberdade para a Timely, o personagem estreou com muito sucesso, mas ambos estavam sem receber. Kirby, conhecido por seu impeto criativo e força de iniciativa, seguiu em frente, e juntamente com Simon, pararam de produzir hqs do personagem e investiram e outras idéias para outras editoras. Kirby e Simon continuaram a trabalhar mesmo indo servir no front durante a segunda guerra. E o Capitão América teve sucesso cada vez mais crescente, e visivelmente mantendo as idéias e visual de seus criadores, como soubesse depois, através de depoimentos de artistas que passaram pela revista naquela época, tendo que imitar o desenho e narrativa de Kirby em suas páginas.
Muito do que Kirby e Simon estavam preparando para o Capitão acabou sendo usado em Fighting American, que foi lançado após o cancelamento de Capitão América, na entrada dos anos 1950. Com o fim da guerra, Capitain America Comics chegara ao fim, e a editora Timely mesmo devendo dinheiro à Jack Kirby e Joe Simon não cederam os direitos do personagem de volta.
Muitos anos depois, em 1994, o personagem chegou a ter uma mini-série de 6 partes na DC Comics. Mas a retomada mais curiosa (para não dizer bizarro) foi em 1997 pela Awesome Entertainment, onde o personagem foi relembrado, por Rob Liefeld (confesso fã de Jack Kirby), em uma mini-série onde o personagem é mostrado como um herói aposentado, lidando com a morte de seu parceiro.
Curiosamente Liefeld, que meses antes havia trabalhado em sua versão do Capitão América no evento “Heróis Renascem” para a Marvel Comics, foi acusado de plagiar o personagem da Marvel, ja que sua versão do Fighting American possuía um escudo redondo e uma sidekick do sexo feminino (na verdade, um cyborg chamado SPICE) praticamente idêntico à sua versão feminina para o personagem Bucky (usada nas suas histórias em Heróis Renascem). O caso foi resolvido e uma das cláusulas únicas permitido que Fighting America possuísse um escudo foi criada, contanto que ele nunca fosse jogado pelo personagem, como faz o Capitão América.
Em 2009, a Dynamite Entertainment anunciou que iria publicar o personagem com Alex Ross ilustrando as capas da revista, apesar de Joe Simon (atual detentor dos direitos do personagem) ter comentado que ele nunca deu a sua aprovação para isso. Na verdade, ele disse que “há algumas capas à lápis de Fighting American do Sr. Ross que estão sendo divulgadas sem aviso de direitos autorais. Acho que muito ruim.”










